quarta-feira, 10 de agosto de 2016

RAQUEL SOLANO TRINDADE 80 anos

RAQUEL SOLANO TRINDADE 10 de agosto

Obrigado pelos 80 anos de Arte

RAQUEL SOLANO TRINDADE (1936)

Homenagem aos 80 anos de uma longa participação política e artística de Raquel Trindade, ativista da cultura negra, artista plástica, poeta, dançarina e coreógrafa. Uma cidadã brasileira.

Raquel Homenagem Dilma

Da esquerda para a direita: Dilma Rousseff, José Sarney, Marta Suplicy e Raquel Trindade. A pesquisadora, folclorista e artista plástica, Raquel Trindade, foi homenageada pela Ordem do Mérito Cultural no Palácio do Planalto, em Brasília(5/11/2012).

Raquel Trindade Souza, a Kambinda, filha mais velha do grande poeta negro comunista Solano Trindade e Maria Margarida Trindade, coreógrafa e terapeuta ocupacional nasceu no Recife( PE) grande conhecedora da história e cultura afro-brasileira, é considerada uma das maiores memórias vivas no Brasil.

Raquel Solano

Música, cultura e história correm por suas veias desde a infância. A avó materna Damázia Maria do Nascimento, cozinheira, dançava nos maracatus do Recife e Emerenciana, avó paterna, fazia lapinha, a casinha do presépio. Abílio Pompilho da Trindade, seu avô, sapateiro, era velho do pastoril e com ele Raquel ouviu muitas histórias que povoavam sua imaginação.

Raquel com 2 anos no colo da mãe em Recife

Raquel aos 2 anos com sua mãe Maria Margarida

Seu pai, que em 1936 fundara o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana, transfere-se para o Rio de Janeiro na década de 1940 onde, de cristão evangélico passa a militante comunista, filiando-se ao partido de Luiz Carlos Prestes. Em Caxias (RJ), município onde se instalou, montou a célula Tiradentes reunindo camponeses e operários.

Sua mãe rumou com as filhas Raquel e Godiva para o Rio de Janeiro. As meninas ficaram no navio e Maria Margarida saiu para procurar o marido. Sua única referência era o Vermelhinho, um bar que reunia comunistas e onde Solano, seu pai, aparecia para conversar e vender quadros e poemas.
A família foi então morar no bairro da Gamboa, em um barraco que tinha o aluguel cotizado pelos amigos do pai. Com ele, a partir dos oito anos passou a freqüentar a Biblioteca Nacional, exposições de arte, Pinacoteca e Teatro Municipal. Conheceu também o balé-afro da Mercedes Batista e a orquestra afro-brasileira do Abigail Moura.
Seus pais ensinavam dança no Teatro Folclórico do Aroldo Costa e por intermédio deles conviveu com intelectuais da época, dentre eles, o artista plástico Aldemir Martins, a pintora Djanira, a atriz Ruth de Souza e Abdias Nascimento, criador do Teatro Experimental do Negro.
Com a mudança para o município de Duque de Caxias (RJ), Solano promoveu várias festas com Maracatu, Coco e Lundu danças ensinadas pela mãe. Também com os pais aprendeu que devia ter orgulho por ser negra e transitou entre o universo evangélico da mãe e as reuniões comunistas, coordenadas pelo pai.

80 anos

Envolvimento político que o levou, inclusive, por duas vezes à prisão, no período do Estado Novo. Anos mais tarde Raquel lembraria que, na estante de sua casa conviviam, lado a lado, na mesma prateleira, a bíblia da mãe e um exemplar de O Capital, de Marx, pertencente a seu pai.
Em 1950 seus pais e o sociólogo Édison Carneiro fundaram em Caxias o Teatro Popular Brasileiro (TPB) que, formado pela classe popular- donas de casa, operários (as), estudantes-, trabalhavam as origens de danças como maracatu, bumba-meu-boi e promovia, ainda, cursos de interpretação e dicção. As apresentações atraiam intelectuais, diplomatas e artistas.

Raquel Pinturas2

Raquel que se casou oito vezes tem três filhos - o compositor Vitor da Trindade, a artista culinária Regina Célia e a escritora dançarina Dada- e netos. Lembra que um dos casamentos aconteceu após uma viagem do TPB a Europa. Ela perdeu a virgindade no navio, com um dos músicos da equipe do pai, que ao descobrir ficou uma fera. O pessoal então, com a ajuda do cônsul, organizou o casamento em Varsóvia, na Polônia. No retorno a Caxias era uma senhora casada e assim ficou por três anos.

Na ocasião dessa viagem Raquel cursava o segundo ano do Clássico em um colégio particular no bairro de Laranjeiras e no qual só pode matricular-se, com a ajuda do professor Mira, que pagava as mensalidades. Mira era negro e Raquel lembraria, anos mais tarde, que isso não era uma coisa tão comum naqueles tempos: um professor negro de história.

Raquel aprendeu com os pais que o estudo é um dos mais preciosos bens que alguém pode deixar aos filhos. Gostava de estudar e lamenta que atualmente as crianças saiam das escolas sem que dominem a leitura, a escrita e o cálculo. Aos 12 anos ganhou o Prêmio Euclides da Cunha de literatura juvenil, competição nacional, com uma redação sobre a violência presente nos gibis da época

 

Guarda saudades das professoras. Após a conclusão do curso primário cursou o ginásio no colégio Duque de Caxias e vivia com as mensalidades atrasadas. Estabelecimento particular- ela e sua colega Dagmar eram as únicas meninas negras do colégio. Na adolescência Kafka, Dostoievski e Graciliano Ramos, dentre outros, emprestados pela biblioteca do colégio, foram alguns de seus companheiros. Também a revista A Classe Operária a tirava do serviço de casa o que provocava reclamações da mãe. Raquel passava horas lendo.
Raquel Trindade é Fundadora do TPST (Teatro Popular Solano Trindade) e da Nação Kambinda de Maracatu, instalados na cidade paulista de Embu das Artes, para onde a família se mudou na década de 1960. Fundado em 1975 e administrado pela família o TPST faz parte da luta, para que a memória de Solano, o Poeta do Povo, falecido em 1974, permaneça viva.

Festival Afreaka

Festival Internacional AFREAKA em 2015 Biblioteca Mário de Andrade SP


Na ocasião havia proposto um curso de extensão, no sentido de ampliar a reduzida presença negra na universidade. O sucesso da proposta, 170 alunos(as) inscritos, resultou na ideia de criar um grupo batizado de Urucungos, Puítas e Quinjengues, instrumentos bantos que foram trazidos pelos escravos para São Paulo. Composto por negros da comunidade, funcionários da Unicamp, alunos e professores, a maior parte das danças que o grupo apresenta foram pesquisadas e criadas por Raquel.

Valiosa fonte de conhecimento e vivência da cultura afro-brasileira, Raquel Trindade é uma de suas mais importantes Griot (guardiã do conhecimento). Sua atuação e testemunho têm sido de grande contribuição para o enfrentamento do preconceito contra o(a) negro(a), a mulher e o nordestino(a) na sociedade brasileira.

Fontes: Mulher 500 anos, atrás dos panos

Wikipédia

Imagens Internet

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O pesadelo negro nos EUA

EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

No dia histórico do discurso “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, panorama social é dramático a negros nos EUA

 

Há mais negros do que nunca nas penitenciárias dos EUA - Créditos: Mother Jones Twitter @bet

Há mais negros do que nunca nas penitenciárias dos EUA / Mother Jones Twitter @bet

O presidente norte-americano, Barack Obama, participa nesta quarta-feira (28/08) em Washington de evento comemorativo pelo aniversário de 50 anos do emblemático discurso “Eu tenho um Sonho”, de Martin Luther King Jr. - considerado um marco da igualdade de direitos civis aos afro-americanos. Enquanto isso, entre becos e vielas dos EUA, os negros não vão ter muitos motivos para celebrar ou "sonhar com a esperança", como bradou Luther King em 1963.


Penitenciárias privadas batem recorde de lucro com política do encarceramento em massa
De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais - que incluem emprego, saúde e educação - entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.
“Negar a cidadania aos negros norte-americanos foi a marca da construção dos EUA. Centenas de anos mais tarde, ainda não temos uma democracia igualitária. Os argumentos e racionalizações que foram pregadas em apoio da exclusão racial e da discriminação em suas várias formas mudaram e evoluíram, mas o resultado se manteve praticamente o mesmo da época da escravidão”, argumenta Alexander em seu livro The New Jim Crow.


Cidade dos EUA irá prender mendigos que não saírem do centro
No dia em que médicos brasileiros chamaram médicos cubanos de “escravos”, a situação real, comprovada por estudos de institutos como o centro de pesquisas sociais da Universidade de Oxford e o African American Reference Sources, mostra que os EUA têm mais características que lembram uma senzala aos afrodescendentes que qualquer outro país do mundo.



Em entrevista a Opera Mundi, a professora da Universidade de Washington e autora do livro “Invisible Men: Mass Incarceration and the Myth of Black Progress”, Becky Pettit,argumenta que os progressos sociais alcançados pelos negros nas últimas décadas são muito pequenos quando comparados à sociedade norte-americana como um todo. É a “estagnação social” que acaba trazendo as comparações com a época da escravidão.
“Quando Obama assumiu a Presidência, alguns jornalistas falaram em “sociedade pós-racial” com a ascensão do primeiro presidente negro. Veja bem, eles falaram na ocasião do sucesso profissional do presidente como exemplo que existem hoje mais afrodescendentes nas universidades e em melhores condições sociais. No entanto, esqueceram de dizer que a maioria esmagadora da população carcerária dos EUA é negra. Quando se realizam pesquisas sobre o aumento do número de jovens negros em melhores condições de vida se esquece que mais que dobrou o número de presos e mortos diariamente. Esses não entram na conta dos centros de pesquisas governamentais, promovendo o “mito do progresso entre nos negros”, argumenta.

Segundo Becky Pettit, não há desde o começo da década de 1990 aumento no índice de negros que conseguem concluir o ensino médio. Além disso, o padrão de vida também despencou. Além do aumento da pobreza, serviços básicos como alimentação, saúde, gasolina (utilidade considerada fundamental para os norte-americanos) e transportes público estão em preços inacessíveis para muitos negros de baixa renda. Mais de 70% dos moradores de rua são afrodescendentes.

Michelle Alexander, por sua vez, critica o sistema judiciário do país e a truculência que envia em massa às prisões os negros. “Em 2013, vimos o fechamento de centenas de escolas de ensino fundamental em bairros majoritariamente negros. Onde essas crianças vão estudar? É um círculo vicioso que promove a pobreza, distribui leis que criminalizam a pobreza e levam as comunidades de cor para prisão”, critica em entrevista ao jornal LA Progresive.

Dodô Calixto

OperaMundi, 28 de Junho de 2016

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

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Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

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O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

domingo, 1 de novembro de 2015

Parada Preta na Paulista.

 
Quanto dói uma morte? E quando não são uma, duas, três, quatro...
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Semana passada foi a morte do haitiano Fetiere Sterlin, assassinado em Navegantes Santa Catarina com 10 facadas, perto de sua casa junto com sua mulher brasileira. Ontem no dia 31 de outubro foi o jovem angolano Jocéu Wando Capilo estudante intercambista de engenharia que veio realizar seu sonho de se formar e voltar à Angola. Sonhos de jovens querendo se estabelecer no país, sonhos de quem vê a educação como forma de construir um futuro melhor. Sonhos perdidos, despedaçados.
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Como não lembrar dos da jovem Zulmira Cardozo, angolana, que formada queria comemorar, sua graduação e voltar para Angola, e ao encontrar seus amigos num bar do Brás onde a comunidade angolana se estabeleceu foi morta em 2012 com um tiro na testa. Cinco estudantes alvejados uma jovem grávida, e três rapazes. Não só foi a morte de Zulmira, seu namorado veio a falecer meses depois, com o peso de carregar de não ter sido morto em lugar da namorada.
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Africanos e caribenhos não são bem-vindos no Brasil, o que os encanta do maior país negro de mundo, o Brasil com 60% da população de origem afro-brasileira (preta, negra, morena ou seja lá o termo que você prefira) tem um sério problema de desigualdade social, onde esses 60% são excluídos da sociedade e remanejados para as periferias das grandes cidades. O que os atrai como a luz, os prejudica, excluí e os mata...
Paulista Jô (86) (1024x576)
O Brasil até os anos 60 era uma grande fazenda, os imigrantes europeus vieram para ocupar os lugares dos escravizados, fugidos de guerras e a fome das grandes migrações que o distúrbio pós guerra causa, vieram por serem uma mão de obra mais barata no capitalismo. Onde você usa uma mão de obra assalariada, e a descarta quando não necessita ou não é mais útil. Sem necessidade de comprar o escravizado, e cuidar dele quando fosse necessário, mais fácil usar a mão de obra excedente e farta na Europa e Ásia. E o que fazer com os descendentes de escravizados?
Uma política de contenção e marginalização nas periferias. Onde as prisões são mais importantes que as escolas. Onde os bandos de capitães do mato, transformaram-se em milícias, e as chacinas são a forma de conter pelo medo a população pobre, negra e periférica.
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Hoje domingo 1º. de novembro, os descendentes de Dandara, Zumbi, Nzinga e Toussaint Louverture uniram-se para protestar pelas mortes e violências contra imigrantes africanos e caribenhos, filhos da Diáspora Africana, brasileiros, haitianos, congolenses, angolanos numa manifestação no Vão Livre do Masp, mesmo lugar onde uma manifestação cobrava quem matou os jovens da Chacina dos 19 na Grande São Paulo. Organizado pelo VOHA Voluntários Amigos dos Haitianos, presentes diversas entidades e movimentos sociais.
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Som de um coração enlutado, batia o tambor de Claudete
Um tambor monocórdico, som de um coração enlutado cobrava o descaso no recebimento e acolhimento desses imigrantes. Uma militante Claudete Alves lembrava que somos um país de imigrantes, onde os donos da terra indígenas e africanos escravizados vivem marginalizados.
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Um usuário das barracas de antiguidades, de dedo em riste e atitude ameaçadora tentou calar o som do tambor e a voz dolorosa de quem lamenta os seus mortos. Mulatas tipo exportação de biquínis, e negros sorridentes fazendo música para ioiô dançar são bem-vindos, cidadãos cobrando seus direitos, são negros não são cidadãos.
Arquétipo guerreiro, em defesa da imagem da mãe, mulher, filha, companheiras cobrou rijo o direito:
“ – Quem é você para silenciar a voz dessa mulher que nos representa?
- Cala a boca racista. ”
Tranquila manifestação, presença constante a presença negra se fará na Paulista nos domingos. Ocupando espaços, onde a visibilidade negra, unida com seus parceiros grita pela inclusão e liberdade. Brasil onde todos têm sangue negro, uns no corpo e mente, outros nas mãos.
 
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Paulista com Itapeva – Parada Preta na Paulista
Unidos num espaço de liberdade no novo espaço dos paulistanos aos domingos, Avenida Paulista com rua Itapeva, uma ocupação como nos tempos da 24 de Maio, ou frente o Mappin um ponto de encontro de arte, cultura e alegria negra da Diáspora Africana em São Paulo: “Parada Preta na Paulista” #paradapretanapaulista
Hugo Ferreira Zambukaki




















sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Angola pensar é crime Pressão Internacional

O professor Boaventura de Souza Santos, professor da Universidade de Coimbra, na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de SP, onde lançava seus dois novos livros “O Direito dos Oprimidos” e “A Justiça Popular em Cabo Verde” (Cortez Editora), para ampliar vozes e diálogos junto dos Movimentos Sociais. Tendo como foco emergências e desafios das lutas sociais por cidadania e direitos, espera-se com o evento potencializar articulações e interconectar saberes em favor de uma agenda emancipatória de luta por direitos.

Agostinho 2

Interpelado por um jovem angolano no Brasil, Agostinho Martinho sobre a questão de cerceamento da liberdade de expressão em Angola, sobre os presos políticos angolanos, responde numa forma emocionada sobre a questão angolana e o envolvimento necessário dos jovens e movimentos sociais brasileiros, para formar uma pressão internacional ao Governo Angolano.

Lembrou que o Governo Brasileiro não tem interesse nas críticas sociais nos países em que tem interesses em negócios, pouco preocupado com as questões sociais ou defesa dos Direitos Humanos. Citou o caso do moçambicano Boaventura Monjane impedido de entrar no Brasil por críticas à Vale do Rio Doce, que desenvolvia um projeto que prejudicava milhares de famílias em Moçambique. O visto de entrada brasileiro só foi concedido por pressão internacional. O mesmo ocorre em Angola com as empresas transnacionais brasileiras, envolvidas em negócios que estão sobre investigação.

Boaventura Mojane

Chama a atenção de que a questão dos presos políticos angolanos, não é um problema de Angola, e sim uma preocupação de todos que se preocupam com a liberdade de expressão e defesa dos Direitos Humanos. No momento em que os jovens angolanos no Brasil se levantam contra essa opressão, ficam fragilizados sem apoio dos jovens brasileiros e da sociedade civil, podendo sofrer pressões e penalidades (o que já está ocorrendo), só com o apoio em manifestações e assinaturas do pedido de liberdade dos brasileiros, poderão se sentir seguros no seu justo pedido de uma democracia para Angola.

A paralisação da greve de fome pelo preso político Luaty Beirão, no seu 36º dia um fato simbólico idêntico aos 36 anos de permanência do presidente José Eduardo dos Santos de forma interrupta, não significa uma vitória mas uma continuidade de luta, já que os 15 + 2 presos políticos serão julgados agora no mês de novembro. Acusados por estarem lendo um livro de tentativa de golpe contra o presidente José Eduardo no poder há 36 anos, onde em Angola pensar torna-se um crime.

Assista o depoimento do professor Boaventura de Souza e o pedido de participação para a Sociedade Brasileira.

Em finais dos anos 1960, partiu para a Universidade de Yale com o objetivo de se doutorar. A sua tese de doutoramento, publicada pela primeira vez em português em 2015 (Direito dos Oprimidos, Almedina), é um marco fundamental na sociologia do direito, que resultou do trabalho de campo centrado em observação participante numa favela do Rio de Janeiro.

Fontes: Transnacionais avançam sobre Moçambique http://www.brasildefato.com.br/node/4606

Wikipédia Biografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Boaventura_de_Sousa_Santos

sábado, 24 de outubro de 2015

O que nós temos com Angola?

 

Vários amigos estão me perguntado porque me preocupo com a situação atual de Angola.

Respondo da forma mais básica: -Minha avó era de Benguela.

Como 60 % da população brasileira, não sei de minhas origens africanas. Minha geração “os de 68” quando leram “Raízes” de Alex Haley maravilharam-se e procuraram suas raízes africanas. No Brasil maior país escravagista mundial e onde os documentos sobre a escravidão foram queimados para que os donos de escravos não exigissem uma reparação pela perda dos escravizados.

 Sem saber das origens corretas, elegi Angola como a minha terra ancestral. Local histórico de onde os escravizados embarcavam em destino ao Brasil. Muitos não eram angolanos, tenho acompanhado companheiros que tiveram oportunidade de fazerem exame de DNA e se surpreenderam muitos carregam genes europeus ou indígenas. Por sua cor são discriminados, como negros (negro é sinônimo de escravizado) .

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Os atiivistas angolanos acusados, presos políticos

O foco central são os quinze ativistas presos por lerem um livro, acusados de estarem organizando um golpe de estado contra o presidente angolano José Eduardo dos Santos e  a greve de fome de Luaty Beirão, rapper angolano em greve de fome há 33 dias, por desobediência civil. São 15 ativistas que liam um livro, e armados de canetas bics foram acusados de estarem à planejar um golpe de estado contra o presidente José Eduardo dos Santos no poder há 36 anos contínuos. Escrevo esse artigo, porque pouco de nós brasileiros sabemos onde fica Angola no mapa (e está provado a África é um continente).

Quando falei isso que não sabíamos onde Angola ficava, um jovem amigo angolano me esclareceu sobre o tamanho do desconhecimento: “E nem sabem que falamos português. ”

angola mapa 

Maior que nossas origens históricas, estão nossas realidades atuais. A corrupção fez uma ponte solida e duradoura entre Brasil, Angola e Portugal. O general Bento dos Santos, sobrinho por afinidade do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos. Está sendo investigado por inspetores da Polícia Judiciária e procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estiveram na manhã desta quarta-feira a realizar buscas em dependências do Novo Banco (ex-BES) e residências em diversos pontos do país. As diligências começarão manhã cedo.

O general Bento dos Santos "Kangamba", sobrinho por afinidade do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, recentemente num discurso faz ameaças aos opositores do Presidente que eles “cairão” não serão vencidos por se oporem “cairão”. Uma ameaça fascista de um governo que fez uma revolução socialista.

 


O primeiro secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento em ato  Promovido pela Organização da Mulher Angolana (OMA), em colaboração com o Comité Provincial do MPLA de Luanda,

O general Bento dos Santos é conhecido no Brasil por seu contato com redes de exploração de prostituição internacional envolvendo o eixo Brasil, Portugal e Angola.

A reportagem especial do Fantástico, denuncia uma rede de prostituição de luxo que você nunca viu nada parecido. Mulheres brasileiras eram levadas para fazer programas sexuais em Angola. “Famosas da televisão” eram levadas para Portugal, Angola e África do Sul segundo informações, o principal cliente era o general Bento dos Santos Kabanga, um dos homens mais poderosos da África. Ele chegava a oferecer US$ 100 mil por um programa. Veja na reportagem de Walter Nunes e Ernesto Paglia no Fantástico da Rede Globo

Fontes:

http://www.publico.pt/economia/noticia/policia-judiciaria-faz-novas-buscas-no-caso-bes-1672944?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

http://www.pordentrodaafrica.com/noticias/direitos-humanos-por-dentro-da-africa-pede-libertacao-de-ativistas-angolanos

http://novasdaguinebissau.blogspot.com.br/2013/11/interpol-confirma-kangamba-e.html

http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/noticias_prsp/25-10-13-op.-garina-justica-federal-aceita-denuncia-contra-sete-acusados-por-trafico-internacional-de-pessoas-para-exploracao-sexual

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O "racismo cordial brasileiro" mata mais uma vez.

 

Bata

Em 2012 quando ocorreu o ataque aos estudantes angolanos no Brás, nossa irmã Zulmira Cardoso morreu assassinada com um tiro na cabeça. Nesse momento foram organizados protestos e surgiu uma "Mobilização Zulmira Somos Nós" outros casos de mortes e violências foram levantados na época contra africanos e caribenhos. No dia da manifestação em frente a Secretaria de Justiça, denúncias de morte e violências contra imigrantes latinos americanos em São Paulo, totalmente ignorados pela polícia e mídia tradicional.

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Surge nas mortes a invisibilidade dos descendentes de escravisados: “Índios” nativos da América e africanos, todos escravisados pelos “colonizadores europeus” diferentes mas negros (termo usado para escravizados) : “negros da terra” (índios) e “negros da guiné”. Todos periféricos e excluídos do sistema.

Por serem negros (pretos) recebem o ódio de uma sociedade que ainda não sabe lidar com o passado de ter sido o maior país escravagista do mundo. O que fazer com os descendentes de ex-escravizados no Brasil? Exclui-los e confinar nas periferias, erguer grandes muros, guaritas, e uma força policial destinada a proteger à propriedade particular dos privilegiados. Erguer muros, barreiras em shoppings, condomínios e praias.

Os imigrantes e refugiados, não tem a "paciência" ou a malícia do negro brasileiro de não responder à provocações, quando reagem à essas provocações, são violentamente espancados ( caso dos estudantes angolanos na USP que roubados, foram reclamar para a polícia confundidos com ladrões apanharam da polícia) ou morrem como Zulmira Cardoso a angolana que iria voltar diplomada morta com um tiro na cabeça ou o haitiano Fetiere Sterlin morto recentemente com dez facadas no peito.

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O haitiano Fetiere Sterlin

Os movimentos negros na sua retomada nos anos 70 tinham uma ampla articulação com os movimentos africanos  e da Diápora africana. Havia contato com Angola, Moçambique, Cabo Verde, África do Sul,  França e Estados Unidos.

Hoje muita coisa se perdeu, quando se fala em uma ação pan-africanista de solidariedade, há setores que dizem: “temos de nos preocupar com os nossos problemas, do genocídio da juventude negra no Brasil…” Esquecem que separados não somos tão fortes, e que o Brasil pouco ou nada aparece na mídia internacional. Essa visão de um projeto de união pan-africanista surge forte quando os movimentos contra a violência do estado contra a população negra, pobre e periférica (Amparar, Mães de Maio, Mães do Cárcere) se unem em apoio ao pedido de solidariedade aos presos políticos angolanos: Liberdade Já! #liberdadeja

O que apoiar em cenários políticos complexos e distantes. A mídia tradicional brasileira é voltada para uma visão eurocentrista e norte-americana. Nessas horas é que surge a voz forte do poeta Solano Trindade “pernambucano que se instalou no Embu das Artes em São Paulo).

Solano Trindade Negros

 

Mães de Maio: Liberdade já! Aos jovens angolanos presos.

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Cohab 2 Itaquera Zona Leste SP

Importantes organizações dos movimentos negros e periféricos unem-se no pedido da libertação dos jovens ativistas angolanos entre elas a OLPN (Organização pela Libertação do Povo Negro) , Círculo Palmarino, Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), o SOS Racismo da Assembleia Legislativa de São Paulo através de sua coordenadora Eliane Dias. Vários rappers e músicos brasileiros se unem à luta dos rappers angolanos. Um deles é Chico César.

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Luiza Erundina deputada brasileira apresentou em seu pronunciamento hoje, no parlamento federal, uma moção de apoio aos presos políticos angolanos e apelo à ‪#‎LiberdadeJá dos 15+2. A moção será encaminhada ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

 

Hora de organizar uma frente, contra as violências racistas contra africanos e caribenhos no Brasil. É essa a proposta da Mobilização Diáspora SP."

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes:

Discurso da deputada Luiza Erundina https://www.youtube.com/watch?v=PcWtEbH0-jM

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/10/19/haitiano-e-assassinado-em-navegantes-sc.htm

Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas
Leia a matéria completa em: Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas - Geledés http://www.geledes.org.br/32721/#ixzz3pIwWNmEi
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