segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Anitta estrela funk acende debate sobre clareamento de pele

No dia 08/08/2013 o jornal britânico The Guardian publicou uma matéria, onde o debate à respeito do clareamento de pele artificial e do racismo existente no país. Uma publicação mostrou fotos da estrela do funk, Anitta antes e depois do sucesso.
Uma tradução livre da matéria do The Guardian:
“Anitta estrela brasileira do funk acende novo debate sobre clareamento da pele e raça
A última sensação do funk brasileiro, Anitta, conquistou milhões de fãs ao levar o som da favela ao mainstream, mas ela está agora à frente e no centro de um debate sobre cor de pele.
Ativistas de campanhas anti-discriminação e comentaristas sociais dizem que a mais rápida estrela ascendente da música industrial teve que sacrificar sua origem negra para ser bem sucedida na classe média predominantemente branca do mercado.
A polêmica foi motivada pela publicação dad fotografias antes e depois que mostra um clareamento dramático no tom de pele de Anita desde que ela assinou um contrato com a Warner.
Anitta Brazilian-music-
Anitta fotografada quando era relativamente desconhecida e no palco no Brasil no último mês. Foto: Mauricio Santana/Corbis
Na primeira, quando Anitta era relativamente desconhecida, ela parecia mais escura. Na segunda – uma foto de marketing após ela ter ficado famosa – ela aparece mais clara. Quer isso tenha sido resultado de produtos de clareamento de pele e cirurgias cosméticas ou – mais provável – ajustes no Photoshop, o contraste reacendeu a discussão sobre o quanto você necessita ser branco para ser reconhecido no Brasil.
Jarid Arraes, estudante de psicologia e blogueiro, escreveu um post criticando a discriminação latente na mídia e marketing que ela sentiu ter representado a mudança da imagem de Anitta. “As pessoas se negam a aceitar que são racistas e que vivem em uma democracia multirracial, mas as estatísticas mostram que isso está longe da verdade. O clareamento nos mostra uma sociedade profundamente intolerante que não suporta a diversidade… branco é a imagem do rico, do legal, do bem sucedido, do bom, enquanto as pessoas enxergam o preto como o oposto de tudo isso”.
Nascida Larissa de Macedo Machado, a pretendente a diva foi uma corista de igreja em sua infância. Durante a adolescência, fez o nome por si mesma no cenário do baile funk carioca como uma cantora e dançarina curvilínea, dançadora de bumbum... de bunda”.
Esse ano ela explodiu no conhecimento do público com um álbum e um enorme single de sucesso, Show das Poderosas , que liderou as paradas e atraiu 52 milhões de visitas no YouTube.
Apesar de ter sido adorada inicialmente como ídolo pop com uma mensagem forte e algumas melodias cativantes, seus apoiadores a projetam como uma ponte cultural entre as favelas predominantemente habitadas por pretos e mestiços nas encostas dos morros do Rio e os bairros mais ricos e brancos localizados morro abaixo.
Ela amenizou a dança sugestiva [sexo], referência gangsta e letras explícitas do baile funk e intensificou o R&B transglobal em vários vídeos promocionais mais suaves, inclusive um para Meiga e Abusada no qual ela janta com uma família branca.
Agora, no entanto, as perguntas estão sendo feitas se ela – ou sua equipe de marketing – ter ido tão longe ao reconstruir sua imagem para atrair uma demografia mais lucrativa. “Se eles tem cabelos crespos, vão se sentir coagidos a alisá-lo. Se eles tem um nariz grande, serão coagidos a fazer uma rinoplastia“, disse Arraes. “Isso cria um círculo vicioso de auto-estima”.
Este é um tema sensível nessa nação grande e altamente mestiça. Brasil – um dos últimos grandes países do mundo a banir a escravidão – tem a maior população de descendentes de africanos fora da África, mas raça e descendência são menos importantes aqui do que cor. E apesar do objetivo declarado da nação de ser uma democracia multirracial, há uma relação clara entre o tom da pele e a desigualdade.
Nas cidades brasileiras, trabalhadores brancos ganham quase o dobro do que os descendentes de africanos. Até 2011, estudantes pretos ou pardos também passavam dois anos a menos nas escolas do que a média dos estudantes.
O governo diz que essa diferença está diminuindo graças ao sistema de cotas raciais nas universidades e outras formas de ações afirmativas. Mas o abismo permanece flagrantemente aparente. A grande maioria dos executivos de negócio e do governo são brancos, enquanto a maior parte dos empregos mais braçais são feitos por pretos e pardos. Caminhe por Ipanema, Gávea ou outros bairros de luxo na Zona Sul do Rio e você estará mais propenso a ver babás negras empurrando carrinhos com bebês brancos do que o contrário.
Definição de cor é complexa. Pessoas que se definem como brancas estão em minoria pela primeira vez no censo mais recente realizado em 2010. Entre os 197 milhões de pessoas que vivem no Brasil, 82 milhões disseram que eram pardos, 15 milhões pretos, dois milhões asiáticos e 0,5% indígenas.
Sylvio Ferreira, professor de psicologia na Universidade Federal de Pernambuco, acredita que Anitta conquistou o coração da classe média por fazer um som rebelde e tornando-o mais domesticado e mais palatável a todos os estratos sociais.
“Isso foi conquistado a partir do clareamento racial? Não”, diz ele. “O que aconteceu foi uma mudança do espaço social onde Anitta produziu sua arte: da periferia para o centro”.
Outros concordam que a questão da cor da pele foi exagerada. Maycon de Mattos Batista, um analista financeiro que trabalhou com Anitta quando ela era uma estagiária na Vale, disse que houve uma grande transformação na imagem de Anitta, mas não de sua cor.
“Eu não acredito que se trate de clareamento; é mais a maneira como ela está sendo produzida com a maquiagem, estilistas de cabelo e o modo como se veste”, ele disse. “Eu não acho que foi por causa de pressão sobre ela. Ela sempre gostou de se mostrar, cantar e dançar. Isso é algo natural para ela. Acredito que é por conta de sua naturalidade que ela é está onde está hoje em dia”.
Leandro Silva de Souza, um ativista por igualdade racial na cidade nordestina de Salvador, disse que o preconceito reside não na sociedade, mas nos produtores musicais e executivos de mídia. O público, diz ele, provou que está interessado na música em si após ter escolhido Oléria – uma lésbica negra – como a mais recente vencedora do The Voice Brasil, um show similar ao Pop Idol.
Anitta ainda tem de ser ouvida à respeito desse debate e o The Guardian não conseguiu contatá-la para comentar o assunto. Contudo, em uma entrevista recente publicada no Blog Folha, ela descreveu a necessidade por identidade para ser bem definida.
“Toda poderosa é uma mulher que não precisa ser bonita, mas tem tanta atitude que é maravilhosa, é poderosa”, diz Anitta à apresentadora Sabrina Sato. “O que tento passar no meu trabalho para todo mundo é que nós podemos ser quem quisermos”.
Com reportagem adicional por Anna Kaiser.
Tradução Hugo Ferreira
Fonte: The Guardian



























terça-feira, 27 de agosto de 2013

Porque os médicos cubanos não são escravos

Entenda por que médicos cubanos não são escravos

Especialista em estudos cubanos, o jornalista Hélio Doyle explica por que a remuneração dos profissionais de saúde de Cuba é paga diretamente ao governo de Raúl Castro

Medicos Cubanos não são 2

Autor de uma série de artigos sobre a vinda dos médicos cubanos, reunidos no 247 sob o título "O que você precisa saber sobre médicos cubanos", o jornalista Hélio Doyle publicou neste domingo uma resposta clara aos jornalistas e críticos do programa Mais Médicos que apontam escravidão na vinda de profissionais de saúde daquele país. Leia abaixo:

UM POUCO MAIS SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS

Parece que o último argumento contra a contratação dos médicos cubanos é a remuneração que vão receber. Pois é ridículo, quando prevalecem fatos, indicadores internacionais e números, falar mal do sistema de saúde e da qualidade dos médicos de Cuba. A revalidação dediploma também não é argumento, pois os médicos estrangeiros trabalharão em atividades definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo federal. Não tem o menor sentido, também, dizer que os cubanos não se entenderão com os brasileiros por causa da língua – primeiro, porque vários deles falam o português e o portunhol, segundo porque os médicos cubanos estão acostumados a trabalhar em países em que a lingua falada é o inglês, o francês, o português e dialetos africanos, e nunca isso foi entrave.

Resta, assim, a forma de contratação e, mais uma vez sem medo do ridículo, falam até de trabalho escravo. Essa restrição também não tem procedência, nem por argumentos morais ou éticos (e em boa parte hipócritas), nem com base na legislação brasileira e internacional. Vamos a duas situações hipotéticas, embora ocorram rotineiramente.~

Imagem Ilustrativa

Imagem Ilustrativa

1 – Uma empreiteira brasileira é contratada por um governo de país europeu para uma obra. Essa empreiteira vai receber euros por esse trabalho e levar àquele país, por tempo determinado, alguns engenheiros, geólogos, operários especializados e funcionários administrativos, todos eles empregados na empreiteira no Brasil. Encerrado o contrato no país europeu, todos voltarão ao Brasil com seus empregos assegurados. Quem vai definir a remuneração desses empregados da empreiteira e pagá-los, ela ou o governo do país europeu? É óbvio que é a empreiteira.

2 – Os governos do Brasil e de um país africano assinam um acordo para que uma empresa estatal brasileira envie profissionais de seu quadro àquele país para dar assistência técnica a pequenos agricultores. O governo brasileiro será remunerado em dólares pelo governo africano. A estatal brasileira designará alguns de seus funcionários para residir e trabalhar temporariamente no país africano. Quem vai definir a remuneração dos servidores da empresa estatal brasileira e lhes fará o pagamento, a estatal brasileira ou o governo do país africano? É óbvio que é a empresa estatal brasileira.

Por que, então, tem de ser diferente com os médicos cubanos? Eles não estão vindo para o Brasil como pessoas físicas, nem estão desempregados. São servidores públicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por ele são remunerados. Quando termina a missão no Brasil (ou em qualquer outros dos mais de 60 países em que trabalham), voltam para Cuba e para seus empregos públicos.

Não teria o menor sentido, assim, que esses médicos, formados em Cuba e servidores públicos cubanos, fossem cedidos pelo governo de Cuba para trabalhar no Brasil como se fossem pessoas físicas sendo contratadas. Para isso, eles teriam de deixar seus postos no governo de Cuba. Como não faria sentido que os empregados da empreiteira contratada na Europa ou da estatal contratada na África assinassem contratos e fossem remunerados diretamente pelos governos desses países.  Trata-se de uma prestação de serviços por parte de Cuba, feita, como é natural, por profissionais dos quadros de saúde daquele país.

A outra crítica é quanto à remuneração dos médicos cubanos. Embora menor do que a que receberão os brasileiros e estrangeiros contratados como pessoas físicas, está dentro dos padrões de Cuba e não discrepa substancialmente do que recebem seus colegas que trabalham no arquipélago. É mais, mas não muito mais. Não tem o menor sentido, na realidade cubana, que um médico de seus serviços de saúde, trabalhando em outro país, receba R$ 10 mil mensais. E, embora os críticos não aceitem, há em Cuba uma clara aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e saúde) sejam revertidos a todos, e não a uma minoria. O que Cuba ganha com suas exportações de bens e serviços, depois de pagar aos trabalhadores envolvidos, não vai para pessoas físicas, vai para o Estado. 

Padilha Mais Médicos

Programa Mais Médicos foi uma iniciativa do ministro da Saúde José Padilha (Foto: Agência Brasil)

A possibilidade de ganhar bem mais é que faz com que alguns médicos cubanos prefiram deixar Cuba e trabalhar em outros países como pessoas físicas. É normal que isso aconteça, em Cuba ou em qualquer país (não estamos recebendo portugueses e espanhóis?) e em qualquer atividade (quantos latino-americanos buscam emigrar para países mais desenvolvidos?). Como é normal que muitos dos médicos cubanos aprovem o sistema socialista em que vivem e se disponham a cumprir as “missões internacionalistas” em qualquer parte do mundo, independentemente de qual é o salário. Para eles, a medicina se caracteriza pelo humanismo e pela solidariedade, e não pelo lucro.

É difícil entender isso pelos que aceitam passivamente, aprovam ou se beneficiam da privatização e da mercantilização da medicina e da assistência à saúde no Brasil.

brasil247.com 26 Agosto de 2013 - 07:19

Fonte Tribuna Hoje

Imagens Internet

Médicos cubanos xingados de escravos

Médicos cubanos xingados: de escravos por médicos brasileiros Fortaleza

Os 95 médicos estrangeiros que iniciaram nesta segunda-feira (26) o treinamento do programa Mais Médicos em Fortaleza foram hostilizados , por um grupo de cerca de 50 médicos cearenses esperavam os estrangeiros vaiando, gritando e xingando os profissionais de escravos do lado de fora do prédio. O alvo do protesto era o grupo de 79 médicos de Cuba que farão o curso. Médicos brasileiros xingam cubanos do Mais Médicos. Assista ao vídeo

Ao ouvirem os gritos, os médicos cubanos passaram 40 minutos pensando em uma alternativa de sair da Escola Pública sem passar pela barreira de manifestantes, mas não houve outra solução.

Os médicos desembarcaram no Ceará para fazer o curso de formação de três semanas foram hostilizados e xingados na saída da Escola de Saúde Pública, logo após a solenidade de Acolhimento, na noite desta segunda, 26.

Outras 15 pessoas foram ao local com bandeiras de Cuba e do Movimento dos Sem Terra (MST) em apoio aos cubanos. Quando questionados sobre qual movimento representavam, um deles disse: “somos de todos os movimentos. Somos a favor de Cuba. Podem falar mal de todo mundo, menos de Cuba”. Houve um momento de tensão entre eles e alguns médicos. Após a troca de insultos, os dois grupos se separaram.

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes, os manifestantes não são contra a vinda dos médicos, mas contra o fato de esses profissionais não fazerem revalida.

. A Polícia Militar solicitou que os médicos cearenses liberassem a saída. O presidente do sindicato pediu para os colegas formarem um corredor para vaiar os cubanos e as autoridades. “Os médicos não são violentos. Vaia não é violência e eles vão receber a maior vaia da vida deles”, disse José Maria Pontes.

 Quando as portas abriram, além da gritaria houve insultos aos estrangeiros, acusados de virem ao Brasil para fazer um trabalho escravo. O secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, foi o mais vaiado e recebeu ofensas pessoais de alguns médicos cearenses.

Pelos próximos 21 dias, os estrangeiros profissionais da atenção básica da saúde passarão por uma avaliação. Se considerados aptos, já poderão atender pacientes a partir do dia 16 de setembro.

Fontes: O Povo On Line

Diário do Nordeste

domingo, 25 de agosto de 2013

O sonho não realizado Martin Luther King III

Filho de Luther King pede continuação da luta do pai

Martin III

Fotografia © REUTERS/Kevin Lamarque

Martin Luther King III pediu hoje perante dezenas de milhares de pessoas a continuação da luta que a geração do seu pai iniciou há 50 anos, exatamente no mesmo local em que proferiu o discurso "I have a dream".

 

Martin Marcha 2

Luther King III, que seguiu exemplo do seu pai na defesa dos direitos civis, pediu aos manifestantes reunidos em Washington para não darem "sequer um passo atrás" na luta pelos seus direitos e disse que o sonho que Martin Luther King disse ter tido há 50 anos ainda está por realizar nos Estados Unidos.

"Estou aqui neste lugar sagrado sobre as pegadas do meu pai, comovido pela história intensa, mas mais do que isso gosto de saber que vocês continuam a sentir a sua presença, que continuam a ouvir a sua voz [de desejo de alcançar um sonho]. (...) Mas este não é o tempo para as comemorações nostálgicas, (...) é tempo para continuar a tarefa", afirmou.

Luther King III fez a defesa da reforma das leis da imigração, que se encontra atualmente no centro da discussão política nos Estados Unidos, sustentando que "deve ser adotada para que acabe o assédio que sofrem os irmãos e irmãs [sobretudo hispânicos] e para garantir-lhes o caminho da cidadania".

"Da mesma forma que estamos a recuperar da pior crise económica desde a Grande Depressão, os Estados Unidosprecisam de um novo Plano Marshall para gerar empregos nas suas cidades, melhorar as infraestruturas e criar um estímulo económico", acrescentou.

Luther King III invocou também o "imperativo fundamental do amor", um poder a que se referiu o seu pai no célebre discurso há meio século, para apelar ao fim da violência traduzida por episódios como os tiroteios de Columbine ou Newtown.

Fonte Diário de Notícias Globo – Portugal

Fotos montagen internet

sábado, 24 de agosto de 2013

Tráfico de Escravos e a Abolição UNESCO

Uma tragédia do passado que questiona o nosso presente

Devemos ensinar os nomes dos heróis dessa história, porque eles são os heróis de toda a humanidade. Ao homenagear anualmente, em 23 de agosto, as mulheres e os homens que lutaram contra essa opressão, a UNESCO busca encorajar a reflexão e o debate sobre uma tragédia que deixou sua marca no mundo assim como ele é hoje.

Algemas

Foto internet

Por meio de suas lutas, de sua aspiração por dignidade e liberdade, os escravos contribuíram para a universalização dos direitos humanos.

23 de agosto

Fotos de Conselho Nacional de Justiça (CNJ) · Página de Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Devemos ensinar os nomes dos heróis dessa história, porque eles são os heróis de toda a humanidade. Ao homenagear anualmente, em 23 de agosto, as mulheres e os homens que lutaram contra essa opressão, a UNESCO busca encorajar a reflexão e o debate sobre uma tragédia que deixou sua marca no mundo assim como ele é hoje.

Sob o Projeto A Rota do Escravo, a UNESCO visa a revelar a extensão e as consequências dessa tragédia humana e a retratar a riqueza das tradições culturais que povos africanos forjaram em meio a adversidades – na arte, na música, na dança e na cultura, em seu sentido mais amplo. Este ano, na véspera do vigésimo aniversário do Projeto A Rota do Escravo, designei, como um Artista da Paz da UNESCO, Marcus Miller, que terá a missão de promover o Projeto A Rota do Escravo da UNESCO e transmitir mensagem de respeito desse projeto por meio da música. Esse empenho contribuirá para os esforços para a Década dos Povos Afrodescendentes (2013-2022), proclamada pelas Nações Unidas em 2012.

O tráfico de escravos não é apenas algo do passado: é nossa história e tem moldado a face de muitas sociedades modernas, criando laços indissolúveis entre povos e continentes, e transformando, de forma irreversível, o destino, a economia e a cultura das nações. Estudar essa história equivale a homenagear os combatentes pela liberdade e reconhecer suas contribuições singulares para a afirmação dos direitos humanos universais. Eles estabeleceram um exemplo para continuarmos a luta pela liberdade, contra o preconceito racial herdado do passado e contra novas formas de escravidão que subsistem até hoje e afetam em torno de 21 milhões de pessoas.

Hoje, convido todos os governos, as organizações da sociedade civil e os parceiros privados a redobrar seus esforços para transmitir essa história. Que isso seja uma fonte de respeito e um chamamento universal em prol da liberdade para as futuras gerações.

Neste Dia de Comemoração, a UNESCO convida todos os povos a relembrar, refletir sobre as consequências do passado em nosso presente, sobre as novas exigências de viver-se em conjunto em nossas sociedades mutilculturais e sobre a luta contra as formas contemporâneas de escravidão, das quais milhões de seres humanos ainda são vítimas.

Irina Bokova

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e a Abolição, 23 de agosto 2013

Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial - Primeiras Impressões

III Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo.
Julio Conferencia

Baixada Santista presente!

Primeiras Impressões de Julio Tumbi Are

PRIMEIRAS IMPRESSÕES - Acabamos de chegar do primeiro dia de trabalhos da III Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo. A maior Conferência Estadual do Brasil teve início com uma aprovação de regulamento conturbada que mostra uma militância negra, mesmo com a ausência de quadros importantes , já dizendo a que veio. Ao meu ver teremos uma Conferência bastante técnica tendo em vista o fato do temário abordar questões acerca de Desenvolvimento e Democracia ressaltando o acúmulo importante que o Estado de São Paulo possui em experiências de gestão na área de promoção da igualdade racial.
As manifestações, legítimas, ocorridas na abertura dos trabalhos demonstram a criticidade do controle social nesse processo, em especial dos militantes que fazem a política de fato na ponta, ou seja, a negrada dos movimentos e conselhos de direitos que não deixam por menos neste momento de consulta popular, e por que não, de prestação de contas dos poderes constituídos.
Por outro lado, na fala dos integrantes da mesa de trabalhos, em especial nas falas das deputadas Leci Brandão (estadual) e Janete Pietá ( federal) e também da Excelentíssima Ministra de Estado da Promoção da Igualdade Racial Luiza Bairros, vemos agentes políticos preocupados com quais serão os próximos passos das políticas de promoção da igualdade racial, principalmente nos avanços que as mesmas necessitam para que entrem de vez em consonância com os ideais de equidade, justiça social e enfrentamento ao racismo tão bradados pelos quatro cantos do nosso país.
Ainda sobre a abertura, especial destaque para a juventude negra presente e preocupada com os espaços de poder representada em todas as delegações regionais e já previamente articuladas por conta daqueles e daquelas remanescentes do Fórum Nacional de Juventude Negra que em São Paulo sempre obteve fortíssima articulação no interior e litoral do Estado e que pelo visto, nesta Conferência não será diferente.
Mais que especial o destaque da atuação organizada e combativa, mas sempre na perspectiva da cultura de paz, dos militantes presentes das religiões de matriz africana, demonstrando mais uma vez, que são, sem dúvida, o segmento mais organizado estruturalmente dentro do movimento negro organizado contemporâneo.
Finalmente, vai meu ponto positivo aos gestores e gestoras presentes neste primeiro dia e que fortaleceram o processo de organização das conferências municipais e regionais. Presentes e participativos lideraram suas delegações e certamente contribuirão positivamente para o debate tendo em vista as vivências pelos gabinetes municipais em busca de arranjos institucionais adequados para que o enfrentamento ao racismo institucional ganhe força dentro do Estado Democrático de Direito nos três níveis da Federação.
Infelizmente não houve tempo para a palestra do Mestre Hélio Santos que ficará para amanhã e iniciará o segundo dia de trabalhos por aqui.
Por enquanto são as primeiras impressões. Bom descanso aos 515 delegados e delegados.
Amanhã escrevo mais.
Atenciosamente,
Júlio Tumbi Are de
Santos

Brasil refúgio de peregrinos perseguidos

Peregrinos da Jornada da Juventude pedem refúgio ao Brasil

  Peregrinos

 

 

Mais de 40 peregrinos que participaram da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que ocorreu no fim de julho na capital fluminense, formalizaram nesta semana pedido de refúgio ao governo brasileiro.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a maioria está no Rio de Janeiro e um grupo em São Paulo, todos acolhidos pela Cáritas Arquidiocesana, entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Entre os peregrinos que pediram refúgio, três são mulheres. Há solicitantes do Paquistão, de Serra Leoa e da República Democrática do Congo. Os peregrinos do Paquistão e de Serra Leoa alegam sofrer perseguições religiosas, já os do Congo pediram refúgio devido aos conflitos armados que assolam o país há décadas.

Os pedidos serão analisados pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, e o processo pode levar até aproximadamente oito meses. O porta-voz da Acnur, Luiz Fernando Godinho, explicou que enquanto esperam a resposta do Brasil, os solicitantes têm direito a tirar carteira de trabalho e CPF, além de todos os direitos civis garantidos aos brasileiros.

Primeiro desfile Papa

Primeiro desfile do Papa Francisco

“Eles poderão acessar as políticas públicas universais a todos os brasileiros, saúde, educação. Já é um avanço grande da legislação brasileira que garante essa regularização temporária para os solicitantes de refúgio, assim como o acesso às políticas públicas”, explicou. 

Godinho informou que os pedidos de refúgio com base em questões religiosas tornam a análise mais complexa, por terem cárater mais subjetivo. “Quando a pessoa pede refúgio por motivo de conflitos ou por guerra são fatos mais objetivos do que as questões religiosas que têm um caráter subjetivo maior”.

Uma das assistentes sociais do projeto de proteção a refugiados da Cáritas do Rio,  Débora Marques Alves, explicou que os congoleses já planejavam pedir o asilo antes de chegarem ao Brasil e aproveitaram o visto emitido para a JMJ para poderem entrar no país. “Já os que vieram do Paquistão e de Serra Leoa, sofriam perseguição e preconceito, ao chegarem ao Brasil perceberam que aqui é um ambiente seguro, onde não precisariam mais ter medo por sua escolha religiosa”, disse a assistente social.

Aprendendo portugues pergrinos

Segundo ela, as ações para refugiados, que têm o apoio da Acnur e do governo brasileiro, incluem aulas de português, cursos profissionalizantes e ajuda financeira. Para isso, os solicitantes precisam do protocolo confirmando o pedido de refúgio.

“Alguns já estão frequentando as aulas de português, que oferecemos duas vezes por semana”, contou, ao ressaltar que aprender o idioma é um dos primeiros passos para a inclusão na sociedade. 

Segundo a Acnur, cerca de 4.200 refugiados reconhecidos pelo governo federal vivem no país, provenientes de mais de 70 nacionalidades. Em 2013, cerca de 300 novos pedidos foram aceitos pelo Conare – sendo a maioria da Síria, Colômbia e da República Democrática do Congo.

Em abril, o Conare informou que o número de estrangeiros em busca de refúgio no Brasil triplicou. O refúgio pode ser solicitado por todo estrangeiro que comprove sofrer perseguição por motivos de raça, religião, opinião pública, nacionalidade ou por pertencer a grupo social específico. E também por pessoas que tenham sido obrigadas a deixar o país de origem devido a grave e generalizada violação de direitos humanos.

Agência Brasil

Fotos Web

Publicação: 23/08/2013