quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Manifestação em São Paulo pede o fim da violência

Manifestação em São Paulo pede fim da violência contra jovens negros e pobres

Teatro Municipal

http://mancheteatual.com.br

São Paulo – Cerca de 100 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar (PM), protestaram na noite de hoje (22) contra o extermínio de jovens negros e pobres. O grupo se concentrou em frente ao Theatro Municipal, na região central da capital paulista, e seguiu em passeata até a Câmara Municipal. Durante o trajeto, alguns participantes de marcha trocaram ofensas com um skinhead, que se refugiou dentro de uma loja de roupas, temendo ser agredido. Na confusão, manequins e cabides foram derrubados.

Segundo o membro do conselho geral da Uneafro Brasil, uma das entidades que organizaram o ato, Douglas Belchior, a principal reivindicação é a mudança na lógica das políticas de segurança pública. “Todos os governos reproduzem essa política de segurança pública que elege o jovem negro como principal alvo de sua repressão”, disse.

Como solução, Belchior defendeu a desmilitarização da polícia e o reconhecimento, pelo governo, da existência de milícias e grupos de extermínio em São Paulo. “É um debate amplo sobre uma nova política de segurança pública para o Brasil, que garante a cidadania, a convivência pacífica e o direito a vida”.

A estudante de história Ariane Reis comparou a repressão das manifestações com a violência usada pela polícia nas periferias. Na opinião dela, as armas menos letais são apenas uma amostra da força usada contra os mais pobres. “A gente sofre aqui nos atos com bala de borracha, enquanto todo dia a juventude negra está morrendo nas periferias”.

A rapper Sharylaine Siu acredita que as mortes causadas por agentes do Estado contra um determinado seguimento da população é uma ameaça a própria noção de democracia. “A juventude que morre hoje é a mesma que morria no tempo da escravidão, na ditadura e se nós vivemos em um país democrático, isso não poderia acontecer”.

Daniel Mello         22/08/2013 - 22h15
Repórter da Agência Brasil

Edição: Aécio Amado

Agência Brasil

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Coronel admite tortura nos interrogatórios da Ditadura

 

Acusado de participar da morte do jornalista Mário Alves nega crime, mas admite tortura em interrogatórios

Rio de Janeiro – O coronel reformado do Corpo de Bombeiros Valter da Costa Jacarandá admitiu nesta quarta-feira (14), em audiência pública na Comissão Estadual da Verdade, que, na época da ditadura militar (1964-1985),  participou de interrogatórios em que foram usadas práticas de tortura, como pau de arara, espancamentos e aplicação de choques elétricos. A reunião desta quarta-feira foi marcada para ouvir quatro militares acusados pelo Ministério Público de sequestrar, torturar e matar o jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) Mário Alves, mas apenas Jacarandá prestou depoimento.

Major Jacarandá

José Carlos Tórtima encara seu algoz, Major Jacarandá: “Nunca é tarde, major, para o senhor se conciliar com essa sociedade ultrajada por essas barbaridades que pessoas como o senhor cometeram.” (Thiago Vilela / ASCOM - CNV

Jacarandá disse que houve excessos. "Negar isso seria uma tentativa vã de tapar o sol com a peneira", reconheceu o bombeiro. Em outra parte do depoimento, ele explicou que os excessos a que se referia eram as torturas.

Sobre ter ele próprio cometido tais crimes, Jacarandá respondeu: "Devo ter cometido. No calor dos interrogatórios, pode ter acontecido, mas eu não saía com o espírito de fazer isso." O militar admitiu que interrogou o jornalista Cid Benjamin e que pode também ter participado do interrogatório de outras pessoas que depuseram na comissão, mas disse que não se lembra delas, nem de qualquer outro nome, inclusive o de Mário Alves. O jornalista morreu em 1970, em consequência de hemorragia causada por empalamento com um cassetete revestido de estrias metálicas, após uma madrugada de tortura no quartel da Polícia do Exército, no Rio.

"Pode até ter acontecido [de eu cometer 'excessos', ou tortura]. Como vou dizer que não fiz isso? É interessante lembrar que [na época] as pressões eram muito grandes. Quando digo que não lembro, devo ter desenvolvido um mecanismo de defesa", disse Jacarandá aos jornalistas depois da audiência.

Jornalista Mario Alves

Jornalista Mário Áves editor do Jornal Voz Operária, torturado e morto no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Imagens internet

Mesmo após insistentes perguntas do presidente da Comissão Estadual da Verdade, Wadih Damous, o coronel sustentou que não se lembrava de absolutamente nada referente a Mário Alves nem do período que o jornalista passou no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). "Não tive qualquer participação na tortura do Mário Alves."

Jacarandá disse que só tomou conhecimento do que aconteceu ao jornalista depois da abertura política e ressaltou que, nem nos corredores do DOI-Codi, nunca ouviu comentários sobre a tortura ou a prisão de Alves. Apesar de afirmar que não sabia quem era Alves e que não se lembrava de nenhum interrogado, ele se disse seguro de não ter participado da sessão de tortura ao jornalista.

O coronel, que na época era major, contou que, no Serviço de Informações, trabalhou na captura e na elaboração de perfis dos presos e que participou de poucas sessões, nas quais sua função era dar informações aos interrogadores, assessorando-os com base nas investigações que realizava.

Jacarandá lembrou que foi para o DOI-Codi após desentendimentos com seu antigo chefe no Corpo de Bombeiros e porque era  especializado em desarmar bombas dos militantes contra a ditadura. Para o coronel, os militantes eram erroneamente chamados de terroristas e deviam ser classificados de revolucionários. Insatisfeito com a resposta, Damous perguntou por que ele havia escolhido especificamente o DOI-Codi para trabalhar, já que acabou exercendo ali a função de interrogador. O coronel respondeu: "O que me atraiu foi a aventura de entrar em uma guerra. Vejo todo esse movimento como uma ação contrarrevolucionária."

Damous quis saber se Jacarandá considerava sua missão patriótica e ele disse que sim. "Fidel Castro torturava e matava em Cuba. Stalin, na Rússia. Mao, na China. E essas pessoas [militantes] tinham toda uma ideologia, talvez não propriamente isso, mas ideias imersas nessas ideologias."

Dos sete depoimentos desta quarta, dois foram contundentes nas acusações ao bombeiro. O jornalista Álvaro Caldas acusou o coronel de ter  girado a manivela do instrumento de choques elétricos durante sua tortura. Caldas lembrou que o bombeiro usava uma bota de cano longo para chutar as vítimas. Maria Dalva Leite também disse que foi barbaramente espancada por Jacarandá em uma sessão de tortura que durou 72 horas. No fim da sessão, Maria Dalva ficou frente a frente com o coronel e perguntou se ele não se lembrava de tê-la torturado. Ele negou.

A entrevista foi interrompida por uma pessoa que disse ter sido levada por Jacarandá a jacarés que ficavam no quartel, ameaçando dar a mão dela para os animais comerem. Em resposta, o coronel reafrimou que não se lembrava, olhou para as mãos dela e perguntou: "Eu dei sua mão para o jacaré comer?"

O coronel reformado falou à comissão estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em sessão conjunta com a Comissão Nacional da Verdade, que ouviu sete vítimas de crimes cometidos no quartel da Polícia do Exército. Os outros militares convocados para depor, os ex-tenentes Luiz Mário Correia Lima, Roberto Duque Estrada e Dulene Garcez, foram representados por um advogado, segundo o qual os três já tinham falado à comissão, por meio de um grupo de trabalho, e respondem administrativa e judicialmente pela morte do jornalista.

No entanto, os três militares foram citados nos depoimentos. Correia Lima foi mencionado como alguém que espancou uma jovem de 19 anos e que se vangloriava das práticas de tortura ao apresentar suas vítimas para outros militares. Sylvio Medeiros disse que Dulene Garcez sugeriu, na sala de tortura, que ele colaborasse ou terminaria empalado como Mário Alves. Maria Dalva afirmou ter ouvido a mesma ameaça.

Para o presidente da Comissão Estadual da Verdade, havia uma expectativa maior em relação ao depoimento do coronel Jacarandá, que, mesmo assim, foi esclarecedor em vários aspectos investigados na tortura e morte de Mário Alves e em outros casos. Wadih Damous informou que foi enviada ao Ministério Público representação para que os outros acusados sejam coercitivamente conduzidos para depor em outra data e respondam pelo crime de desobediência.

Lúcia Vieira, filha do jornalista Mário Alves, disse que não esperava informações novas com o depoimento de Jacarandá, mas não acredita que o militar só tenha sabido do caso de seu pai após a abertura política. "Ele não tem como negar. Eles até se orgulhavam de dizer os crimes que cometeram. Todos falavam em Mário Alves. Os próprios presos também", ressaltou.

Apesar disso, Lúcia manifestou confiança nos trabalhos da comissão. "[A comissão] teve um período de fogueira das vaidades, mas agora parece que está funcionando melhor. Estou com esperança de que a coisa ande. Está havendo mais empenho e mais cobrança porque mais pessoas estão interessadas na verdade."

Edição: Nádia Franco

Fonte: Agência Brasil / EBC

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Racismo 10 filmes

10 Filmes sobre Racismo legado da escravidão

O tema que escolhido hoje é um dos mais prolíficos do cinema.
São inúmeros os bons filmes que falam sobre racismo.
Para facilitar, me concentrei apenas em racismo contra negros.
Muitos desses filmes se passam até a década de 60, mas é incrível notar que essa abominação, baseada em ignorância, o racismo, persiste até os dias de hoje.
Aqui vai minha lista de 10 feita em 2009 . Faltam vários filmes Aguardo seus comentários e sugestões de outros títulos.


1.  Amistad (negros escravizados se rebelam e tomam o navio espanhol na costa de Cuba, enganados pelos tripulantes restantes, acabam capturados por um navio americano e uma batalha judicial se inicia. não é dos melhores filmes de Spielberg, mas é didático na descrição do cruel transporte de escravos)


2.  Uma Outra História Americana (Edward Norton é o líder de um grupo de skinheads que mata dois negros que invadem sua casa e vai para a cadeia por 3 anos. na prisão percebe que o ódio racial que pregava só lhe traz prejuízos. quando sai, tenta desfazer sua imagem, mas suas antigas idéias ficaram impregnadas no seu grupo e no próprio irmão)
Malcon X

3.  Malcolm X (biografia de um dos grandes líderes negros americanos. Denzel Washington faz Malcolm X, que teve o pai morto pela Ku Kux Klan, a mãe internada por insanidade e acabou sendo um malandro de rua. quando esteve preso, converteu-se ao islamismo e iniciou sua pregação pela igualdade racial)

4.  A Autobiografia de Miss Jane Pittman (feito para TV e estrelado por Cicely Tyson, é um filme tocante. a história de uma mulher negra, que nasceu escrava em 1850 e viveu para fazer parte dos movimentos pelos direitos civis dos negros nos anos 1960. ganhou 8 prêmios Emmy)

5.  Tempo de Matar (uma garota negra de apenas 9 anos é estuprada por dois racistas brancos. eles são presos, mas quando estão sendo levados ao tribunal, são mortos pelo pai da garota. o caso atrai atenção nacional e a cidade vira um barril de pólvora)

6.  Mississipi em Chamas (em 1964, dois agentes do FBI vão a uma cidadezinha do Mississipi investigar os assassinatos de três militantes dos direitos civis, dois negros e um judeu. na cidade encontram um ambiente muito tenso, onde a segregação e o preconceito são a tônica)


7.  Adivinhe Quem Vem para Jantar (um casal esclarecido de classe média americana - Spencer Tracy e Katharine Hepburn - vai conhecer o noivo da filha num jantar, quando descobrem que ele é negro - Sidney Poitier. eles ficam chocados e procuram por algo que o desabone, mas encontram uma pessoa com muitas qualidades morais e profissionais. um tanto teatral, mas com um roteiro e interpretações brilhantes)

8.  As Barreiras do Amor (Michelle Pfeiffer é uma dona de casa obcecada pelo casal Kennedy e decide, contra a vontade do marido, ir de ônibus para o funeral do presidente. no ônibus, senta-se próxima a um negro, que viaja com a filha de 5 anos. ela desconfia que o homem está sequestrando a garota e aciona a polícia, mas vê que estava errada e acaba desenvolvendo uma forte amizade com eles. um retrato do preconceito nos anos 60)

9.  Um Grito de Liberdade (nos anos 70 na África do Sul, um jornalista branco - Kevin Kline - fica amigo de um ativista negro, Stephen Biko - vivido por Denzel Washington - que acaba morto na prisão. o jornalista então resolve divulgar o fato, as idéia de Biko e os horrores do apartheid, mas acaba virando alvo do regime e tem que fugir do país)

10.  Bopha! Á Flor da Pele (dirigido por Morgan Freeman o filme tem boas intenções em denunciar o regime do apartheid na África do Sul, através da história de um policial negro, que se orgulha de fazer parte do regime e acaba entrando em conflito com sua própria família)
Fonte: Lista de 10

terça-feira, 13 de agosto de 2013

África Ignorâncias e preconceitos

10 ideias equivocadas que temos sobre a África

Uma jornalista da Namíbia, Christine Vrey, estava revoltada com a ignorância das pessoas com quem já conversou a respeito de seu continente natal, a África. Segundo ela, o mundo ocidental sabe muito menos do que deveria sobre o continente africano, pecando por ignorância e preconceitos. Pensando nisso, Christine elaborou uma lista com dez ideias enganosas sobre o continente. Confira:

10 – A ÁFRICA É UM PAÍS

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Pode parecer inacreditável, mas muitas pessoas, segundo ela, ainda pensam que a África inteira é um país só. Na verdade, o continente africano tem 61 países ou territórios dependentes, e população superior a um bilhão de habitantes (o que faz deles o segundo continente mais populoso, atrás apenas da Ásia).

9 – A ÁFRICA INTEIRA É UM DESERTO

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Dependendo das referências (alguns filmes, por exemplo), um leigo pode imaginar que a África inteira seja um deserto escassamente povoado por beduínos e camelos. Mas apenas as porções norte e sudoeste do continente (desertos do Saara e da Namíbia, respectivamente) são assim; a África apresenta um rico ecossistema com florestas, savanas e até montanhas onde há neve no cume.

8 – TODOS OS AFRICANOS VIVEM EM CABANAS

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A fama de continente atrasado permite, segundo Vrey, que muitas pessoas achem que a população inteira habite cabanas com paredes de terra e teto de palha. A África, no entanto, tem moderníssimos centros urbanos nos quais vive, na realidade, a maior parte da população. As pessoas que habitam tais cabanas geralmente vêm de grupos tribais que conservam suas vilas no mesmo estado há muitas décadas.

7 – OS AFRICANOS TÊM COMIDAS ESTRANHAS

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Uma cidade africana, de acordo com a jornalista, se assemelha a qualquer outra localidade ocidental no quesito alimentação: pode-se encontrar qualquer lanchonete de fast food, por exemplo. Christine explica que os hábitos alimentares dos africanos não diferem muito do nosso, exceto pelo que se come em algumas refeições, como o “braai” (o equivalente ao nosso churrasco).

6 – HÁ ANIMAIS SELVAGENS POR TODA PARTE

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Em uma cidade africana, você verá o mesmo número de leões ou zebras que encontraria nas ruas de qualquer metrópole mundial: zero. Não há absolutamente nenhuma condição favorável para eles nos centros urbanos, é óbvio que vivem apenas em seus habitat naturais. Se você quiser ir à África com o intuito de observar animais selvagens, terá que fazer uma viagem específica para esse fim.

5 – A ÁFRICA É UMA EXCLUÍDA DIGITAL

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A jornalista Christine conta que ainda conversa com pessoas, pela internet, que ficam surpresas pelo simples fato de que ela, uma africana, tem acesso a computadores e internet! Um dos interlocutores da jornalista chegou a perguntar se ela usava um computador movido a vapor. Ela explica que a tecnologia não perde muito tempo em fazer seus produtos mais modernos chegarem até a África, e que eles estão cada vez menos atrasados em relação ao resto do mundo.

4 – EXISTE O “IDIOMA AFRICANO”

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Da mesma forma que ainda há gente que considera a África um único país, também existem pessoas que
imaginam todos os habitantes do continente falando a mesma língua. Christine explica que apenas na Namíbia, de onde ela veio, há mais de 20 idiomas usuais, incluindo mais de um “importado” e alguns nativos. Nenhum país do continente tem menos de cinco dialetos correntes.

3 – A ÁFRICA TEM POUCOS HOTÉIS

Hoteis 3

 

Não é uma missão impossível encontrar hospedaria em uma visita ao continente africano. As maiores cidades do continente dispõem de dezenas de hotéis disponíveis para turistas. Só nas oito maiores cidades da África do Sul, segundo Vrey, existem 372 hoteis.

2 – OS AFRICANOS NÃO SABEM O QUE É UM BANHEIRO

Banheiros 3

 

Há quem pense, de acordo com a jornalista, que todos os africanos sejam obrigados a fazer suas necessidades atrás do arbusto ou em latrinas a céu aberto. Isso vale, segundo ela, apenas para as áreas desérticas e vilarejos afastados. No geral, uma casa na África dispõe de um vaso sanitário muito semelhante ao seu.

1 – TODOS OS AFRICANOS SÃO PRETOS 

Diversidade 1

Da mesma forma que houve miscigenação de raças na América, devido às intensas migrações de europeus, a África também recebeu essas misturas. Na Namíbia, por exemplo, há famílias africanas brancas descendentes de franceses, holandeses e portugueses. Mas não há apenas isso: o continente também abriga grandes comunidades de indianos, chineses e malaios, de modo que não se pode falar em “raça africana”.

Preto é preto

Isso é um engano: há várias características físicas diferentes entre os povos de pele escura. As diferenças começam pela própria tonalidade: alguns povos têm a pele mais “avermelhada” ou mais marrom do que outros, e alguns são menos escuros, sem levar em conta a miscigenação. Não é possível falar, portanto, em pretos simplesmente.

Preto é preto 11

Eu tenho , em várias ocasiões, ouvido as pessoas, ao descrever sua etnia, que eles são (por exemplo) 1/4 de espanhol, 1/4 britânico, 1/4 russo, 1/4 Preto. Isso é incorreto como as três primeiras “raças”  mencionadas são todas brancos, então por que generalizar sobre sua genética preta? As pessoas Ovihimba são tão diferentes como a noite do dia em comparação ao povo Herero, e todos eles são ´pretos. Na África, você também tem cores diferentes de preto para as diferentes tribos e diferentes áreas da África. Como exemplo, o povo angolano tendem a ser quase preto azulado, enquanto o povo San são muito mais claros na pele, mais de uma cor castanho escuro, e as pessoas Ovahimba (acima) se orgulham em um tom avermelhado. Se você é preto, ou ter alguns genes africano em você, eu aconselho você a descobrir mais sobre sua história famíliar e onde seus ancestrais vieram, em vez generalizar e dizer que você é apenas africano.

 

Fonte: Listverse dezembro de 2011

Reparação histórica cotas para Afro-uruguaios

Congresso do Uruguai aprova lei favorecendo a coletividade afrodescendente.
A lei destina 8% dos cargos públicos e estabelece incentivos para empresas privadas que contratem. Lei destina-se a proteger o coletivo afrodescendente da exclusão do trabalho e social.
Os mesmos critérios serão aplicados na educação. O projeto propõe um conjunto de bolsas de estudo, na escola, ensino fundamental e na faculdade, para crianças e jovens na população abrangida pela lei, algo que, segundo o governo deputado Felipe Carballo, será "muito mais ênfase", devido ao “elevado abandono escolar”, ocorrida com este setor da população.
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Representantes da “Junta Nacional de Mundo Afro “- Montevideo
O projeto foi aprovado por unanimidade no dia 11 de agosto pela Câmara dos Deputados e encaminhou ao Executivo para sua promulgação. A regulamentação da norma entrará em vigor em, no máximo, 90 dias.
A lei "não é uma solução mágica para a discriminação, mas pretende ser uma ferramenta que irá ajudá-lo a lutar contra isso", disse o deputado Julio Bango, representando a Frente Ampla no poder (esquerda).
No que diz respeito à discriminação racial, Bango distinguiu entre os valores que se baseia a discriminação individual e estrutural que está enraizada no país, que visa erradicar a esta norma e leva "a pessoas afrodescendentes no Uruguai ter menos mobilidade social”, que o resto da população.
Claudia de los Santos, diretora da organização Mundo Afro, disse que a situação socioeconômica do grupo é "muito diferente do resto da sociedade", uma vez que muitas mulheres "continuam a trabalhar no serviço doméstico e que é difícil para jovens conseguem emprego por sua origem, é algo discriminatório.”.
De acordo com o último censo populacional realizado em 2011, os afrodescendentes no Uruguai, que têm sua origem nos escravos que vieram para o país da África na época colonial, representam 8% da população, ou cerca de 300 mil, e 40% dessa população está abaixo da linha da pobreza, quantidade superior a 50% para os jovens menores de 18 anos.
A lei também faz um reconhecimento histórico da discriminação de afrodescendentes no país e estudar "o papel da comunidade no desenvolvimento do Uruguai", disse o Deputado Bango.
O diretor da “Asesoría Macro en Políticas Sociales del Mides” Andrés Scagliola refletiu que hoje não há qualquer medida similar. "O que se encontra no Estado, é encontrar afrodescendentes em cargos e serviço mais baixos, reproduzindo este padrão também no mercado privado, basicamente inseridos nos serviços domésticos e tarefas manuais como a construção civil e sendo mal pagos ".
As políticas sociais "têm afetado a população negra porque é a que mais sofre tanto na pobreza, como na miséria”. Esta lei introduz uma nova perspectiva que uma ação afirmativa.
A lei retornou aos Deputados e teve que ser aprovada novamente com as mudanças ocorridas no Senado. Estes incluem a duração, que havia sido inicialmente fixada em 10 anos e se transformaram em 15 anos. Após este tempo, irá apresentar um relatório que analisa os resultados e as taxas reais de inclusão da comunidade. O critério para a escolha da população que está incluído nesta regra será a autodeterminação, ou seja, a pessoa é que deve declarar quando se considera afrodescendente.
Afro-uruguaio refere-se a uruguaios de ancestralidade negra africana. Eles são mais encontrados em Montevidéu.
História dos afro-uruguaios
A literatura acadêmica do Uruguai negligência a presença e o papel dos africanos no desenvolvimento da nação. Os afro-uruguaios contribuíram muito para a economia do seu país, sociedade e cultura.
“Llamada” of Candombe – 2013 Pam Harris
“Llamada” of Candombe manifestação cultural originada a partir da chegada dos escravos da África.
Trazidos como escravos tornaram-se soldados de infantaria, e artesãos fazendo o desenvolvimento econômico do Uruguai entre os séculos XVII e XIX. Os africanos uruguaios foram os soldados cujo sangue e sacrifícios forjaram um Estado-nação independente de uma colônia espanhola, a independência que defenderam de invasores estrangeiros, primeiro a Grã-Bretanha e depois do Império do Brasil (Província Cisplatina) , durante as primeiras décadas do século XIX. Afro-uruguaios foram os músicos, escritores, e artistas cujas obras enriqueceram, iluminaram, e entretiveram seus cidadãos da época colonial até hoje.

Hugo Ferreira ZambukakiFontes: La Razón / El Pais Montevideo / Wikipédia10 de agosto de 2013Imagens Internet



















sábado, 10 de agosto de 2013

RAQUEL SOLANO TRINDADE 10 de agosto

RAQUEL SOLANO TRINDADE (1936-)

Homenagem aos 77 anos de uma longa participação política e artística de Raquel Trindade, ativista da cultura negra, artista plástica, poeta, dançarina e coreógrafa. Uma cidadã brasileira.

Raquel Homenagem Dilma

Da esquerda para a direita: Dilma Rousseff, José Sarney, Marta Suplicy e Raquel Trindade. A pesquisadora, folclorista e artista plástica, Raquel Trindade, foi homenageada pela Ordem do Mérito Cultural no Palácio do Planalto, em Brasília(5/11/2012).

Raquel Trindade Souza, a Kambinda, filha mais velha do grande poeta negro comunista Solano Trindade e Maria Margarida Trindade, coreógrafa e terapeuta ocupacional nasceu no Recife( PE) grande conhecedora da história e cultura afro-brasileira, é considerada uma das maiores memórias vivas no Brasil.

Raquel Solano 

Música, cultura e história correm por suas veias desde a infância. A avó materna Damázia Maria do Nascimento, cozinheira, dançava nos maracatus do Recife e Emerenciana, avó paterna, fazia lapinha, a casinha do presépio. Abílio Pompilho da Trindade, seu avô, sapateiro, era velho do pastoril e com ele Raquel ouviu muitas histórias que povoavam sua imaginação.

 Raquel com 2 anos no colo da mãe em Recife

Raquel aos 2 anos com sua mãe Maria Margarida

Seu pai, que em 1936 fundara o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana, transfere-se para o Rio de Janeiro na década de 1940 onde, de cristão evangélico passa a militante comunista, filiando-se ao partido de Luiz Carlos Prestes. Em Caxias (RJ), município onde se instalou, montou a célula Tiradentes reunindo camponeses e operários.

Sua mãe rumou com as filhas Raquel e Godiva para o Rio de Janeiro. As meninas ficaram no navio e Maria Margarida saiu para procurar o marido. Sua única referência era o Vermelhinho, um bar que reunia comunistas e onde Solano, seu pai, aparecia para conversar e vender quadros e poemas.
A família foi então morar no bairro da Gamboa, em um barraco que tinha o aluguel cotizado pelos amigos do pai. Com ele, a partir dos oito anos passou a freqüentar a Biblioteca Nacional, exposições de arte, Pinacoteca e Teatro Municipal. Conheceu também o balé-afro da Mercedes Batista e a orquestra afro-brasileira do Abigail Moura.
Seus pais ensinavam dança no Teatro Folclórico do Aroldo Costa e por intermédio deles conviveu com intelectuais da época, dentre eles, o artista plástico Aldemir Martins, a pintora Djanira, a atriz Ruth de Souza e Abdias Nascimento, criador do Teatro Experimental do Negro.
Com a mudança para o município de Duque de Caxias (RJ), Solano promoveu várias festas com Maracatu, Coco e Lundu danças ensinadas pela mãe. Também com os pais aprendeu que devia ter orgulho por ser negra e transitou entre o universo evangélico da mãe e as reuniões comunistas, coordenadas pelo pai.

Raquel Solano

Envolvimento político que o levou, inclusive, por duas vezes à prisão, no período do Estado Novo. Anos mais tarde Raquel lembraria que, na estante de sua casa conviviam, lado a lado, na mesma prateleira, a bíblia da mãe e um exemplar de O Capital, de Marx, pertencente a seu pai.
Em 1950 seus pais e o sociólogo Édison Carneiro fundaram em Caxias o Teatro Popular Brasileiro (TPB) que, formado pela classe popular- donas de casa, operários (as), estudantes-, trabalhavam as origens de danças como maracatu, bumba-meu-boi e promovia, ainda, cursos de interpretação e dicção. As apresentações atraiam intelectuais, diplomatas e artistas.

Raquel Pinturas2

Raquel que se casou oito vezes tem três filhos - o compositor Vitor da Trindade, a artista culinária Regina Célia e a escritora dançarina Dada- e netos. Lembra que um dos casamentos aconteceu após uma viagem do TPB a Europa. Ela perdeu a virgindade no navio, com um dos músicos da equipe do pai, que ao descobrir ficou uma fera. O pessoal então, com a ajuda do cônsul, organizou o casamento em Varsóvia, na Polônia. No retorno a Caxias era uma senhora casada e assim ficou por três anos.

Na ocasião dessa viagem Raquel cursava o segundo ano do Clássico em um colégio particular no bairro de Laranjeiras e no qual só pode matricular-se, com a ajuda do professor Mira, que pagava as mensalidades. Mira era negro e Raquel lembraria, anos mais tarde, que isso não era uma coisa tão comum naqueles tempos: um professor negro de história.

Raquel aprendeu com os pais que o estudo é um dos mais preciosos bens que alguém pode deixar aos filhos. Gostava de estudar e lamenta que atualmente as crianças saiam das escolas sem que dominem a leitura, a escrita e o cálculo. Aos 12 anos ganhou o Prêmio Euclides da Cunha de literatura juvenil, competição nacional, com uma redação sobre a violência presente nos gibis da época

Raquel Trindade 77

Guarda saudades das professoras. Após a conclusão do curso primário cursou o ginásio no colégio Duque de Caxias e vivia com as mensalidades atrasadas. Estabelecimento particular- ela e sua colega Dagmar eram as únicas meninas negras do colégio. Na adolescência Kafka, Dostoievski e Graciliano Ramos, dentre outros, emprestados pela biblioteca do colégio, foram alguns de seus companheiros. Também a revista A Classe Operária a tirava do serviço de casa o que provocava reclamações da mãe. Raquel passava horas lendo.
Raquel Trindade é Fundadora do TPST (Teatro Popular Solano Trindade) e da Nação Kambinda de Maracatu, instalados na cidade paulista de Embu das Artes, para onde a família se mudou na década de 1960. Fundado em 1975 e administrado pela família o TPST faz parte da luta, para que a memória de Solano, o Poeta do Povo, falecido em 1974, permaneça viva.
O espaço que passou por sérias dificuldades financeiras foi reinaugurado em 13 de novembro de 2010. Das apresentações ocorridas no evento, que reuniu cerca de 700 pessoas, participaram também Vitor Trindade, neto do poeta, tocando solo, voz e violão, a partir de poemas do avô e Manuel Trindade, Bisneto, com sua banda Preto Soul. Maria Trindade, bisneta, com o percursionista Carlos Caçapava apresentou a cultura africana através dos tambores e Raquel empolgou o com suas danças e ritmos que resgatam a e a cultura popular brasileira.
Raquel sempre participou de Encontros e Conferências sobre a cultura negra, realiza cursos e oficinas livres por todo o país. Em 1988 foi convidada para lecionar aulas de folclore, teatro negro e sincretismo religioso na graduação da Unicamp, mesmo não tendo diploma universitário. Período, no qual enfrentou enorme resistência por parte de muitos dos(as) professores(as), após ter sido promovida pela universidade, de técnico didático a professora. Para Raquel, como conseqüência de sua mediunidade desenvolvida no candomblé, era como se uma enorme porta de vidro a impedisse de entrar na universidade para lecionar. Pressionada e com a descoberta de um câncer no intestino pediu demissão, retornando à Embu.
Na ocasião havia proposto um curso de extensão, no sentido de ampliar a reduzida presença negra na universidade. O sucesso da proposta, 170 alunos(as) inscritos, resultou na idéia de criar um grupo batizado de Urucungos, Puítas e Quinjengues, instrumentos bantos que foram trazidos pelos escravos para São Paulo. Composto por negros da comunidade, funcionários da Unicamp, alunos e professores, a maior parte das danças que o grupo apresenta foram pesquisadas e criadas por Raquel.

Valiosa fonte de conhecimento e vivência da cultura afro-brasileira, Raquel Trindade é uma de suas mais importantes Griot (guardiã do conhecimento). Sua atuação e testemunho têm sido de grande contribuição para o enfrentamento do preconceito contra o(a) negro(a), a mulher e o nordestino(a) na sociedade brasileira.

Fontes: Mulher 500 anos, atrás dos panos

Wikipédia

Imagens Internet

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Câmara do Rio ocupação continua

Manifestantes mantêm ocupação no plenário da Câmara de Vereadores do Rio

09/08/2013 - 15h31

 

Rio de Janeiro – O plenário da Câmara Municipal permanece ocupado por manifestantes contrários à composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, que elegeu como presidente o vereador Chiquinho Brazão (PMDB), e não o autor da proposta, Eliomar Coelho (PSOL), que, pela tradição parlamentar, ocuparia a presidência.

A luz do plenário foi cortada às 14h45, o que provocou indignação dos manifestantes, que também foram impedidos de usar os banheiros da Câmara.

O objetivo dos manifestantes é entregar uma carta de reivindicações ao presidente da Casa, Jorge Felippe (PMDB). Entre as reivindcações, destacam-se a anulação da reunião em que foram eleitos os membros da CPI dos Ônibus, a saída da comissão dos vereadores Chiquinho Brazão, Jorginho da SOS (PMDB), Renato Moura (PTC e Professor Uóston (PMDB), da base de apoio ao prefeito Eduardo Paes, e que Eliomar Coelho seja o presidente da CPI.

Segundo os manifestantes, a ocupação do plenário não tem prazo para terminar.

Policiais militares (PMs) com escudos e capacetes com viseiras cercaram a entrada principal da Câmara. Do lado de dentro, grupos de PMs observam a movimentação dos manifestantes, mas sem intervir. Vereadores de partidos de oposição montaram um palanque do lado de fora e fazem discursos em apoio aos manifestantes.

Vladimir Platonow

Edição: Nádia Franco

Fonte Agência Brasil